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Educação
e Liberdade do Indivíduo |
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“Aprendi
o que quiseram que eu aprendesse, disse o que queriam que eu dissesse,
assumi os compromissos que quiseram e fui ordenado padre”.
[1]
Como batistas e educadores devemos estar
atentos para desenvolver uma relação de respeito ao outro, em especial
ao aluno. Esta relação não deve ser vertical, onde o professor,
ao deter o saber, mantém uma relação de poder, determinando o que
o aluno deve ser, pensar e agir. Isto seria “coisificar” o aluno.
Esta postura contraria os Princípios Batistas, quando o documento
afirma que “o indivíduo nunca
deve ser usado como um meio, nunca deve ser manobrado, nem tratado
como mera estatística. Este ideal exige, antes, que seja dada primordial
consideração ao indivíduo, na sua liberdade moral, nas suas necessidades
urgentes e no seu valor perante Cristo.”
[4]
Ao contrário de moldar o aluno, de fazer
com que ele obedeça acriticamente
às normas da família, igreja e sociedade, devemos construir uma
relação horizontal, em busca de diálogo, abrindo espaço para dúvidas
e debates. Ajudar o aluno a fazer suas escolhas, a tomar as suas
decisões de forma consciente, até alcançar autonomia. Como diz uma
música popular: “a lição sabemos de cor , só nos resta aprender.”
Nas relações sociais, “aprendemos a lição” quando praticamos as
leis que julgamos que devem ser respeitadas atendendo a nossa consciência
moral num processo de autonomia e não mais seguimos a lei que outros
determinaram para nós (heteronomia). A educação em si, deve ser um instrumento para que os alunos desenvolvam
a sua percepção de mundo de forma crítica. Em alguns momentos será
necessário transmitir o
saber, dar acesso a informações. Em outros momentos os alunos podem
ser incentivados a buscar os “porquês”, a solucionar problemas trazidos
do cotidiano. É importante criar oportunidades para que os alunos
falem das situações vividas durante a semana
de forma a provocar a discussão sobre o tema.
Todo educador deveria ver o filme “O Show
de Truman”. É a estória de um menino que foi criado numa pequena
cidade numa ilha. Toda a sua vida foi rotineira e “normal”, até
que chegando a idade adulta começou a desconfiar de sua própria
visão de realidade. Estranhou o que era antes “natural” em seu cotidiano
e descobriu então que a cidade não passava de um grande cenário,
e que toda a sua vida era um programa de televisão assistido por
milhares de pessoas.
Igreja local não é uma ilha. Vivemos numa sociedade em que influenciamos e somos
influenciados. A tensão é constante, mas os princípios cristãos
e éticos existem para serem vividos na relação entre os homens,
na sociedade. As respostas aos conflitos éticos se darão a partir
do debate, pois não existem respostas prontas para os desafios éticos
como: clonagem, aborto, divórcio, racismo, intolerância religiosa,
etc. O nosso compromisso é compartilhar com as crianças
de nossas igrejas a nossa visão de realidade a partir dos ensinamentos
bíblicos, construindo um alicerce para que ela possa se situar no
mundo e dialogar com visões divergentes. Coordenadora
de Educação Religiosa Convenção Batista Fluminense
[1] ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou Da educação. São Paulo: Martins Fontes, 1995, pg.356.
[3] Ibdem, pg. 378. [4] Impacto: Realidade Batista. Rio de Janeiro: Convenção Batista Fluminense, pg.17
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